domingo, 15 de março de 2015

O inicio de tudo





JANEIRO/2014

Uma bela tarde de domingo com a família no passeio que terminaria comigo prostrada na cama com uma forte dor de cabeça. Sim, eu estava acostumada a ter, mas nunca como aquela. Nem saberia descrevê-la naquele dia. Era uma dor forte na nuca que se estendia para o pescoço e ombros que logo ficaram enrijecidos. Era só o começo de tudo. Analgésicos comuns não surtiam nenhum efeito. A dor só piorava. Na terça-feira atacou os ouvidos e tudo foi desesperador. Seguiu-se com náuseas e fortes tonturas e só então fui socorrida à UPA daqui com suspeita da minha mãe de meningite. Lá no atendimento isso foi descartado. Tomei um coquetel de 4 injeções entre analgésicos e anti inflamatórios e fui liberada pra casa. O efeito desse sossega leão não durou mais que duas horas e as dores voltaram com tudo durante a madrugada.  
Manhã de quarta-feira. Se iniciava o quarto dia de dor sem pausa. Procuramos então um otorrinolaringologista de urgência e após um breve exame físico o diagnóstico:  DTM. Uma crise aguda. Disfunção temporomandibular. Nem acreditava que uma articulação pudesse me fazer sentir a caminho da morte, sério! A dor era de dar vontade de morrer! Aí me lembrei das palavras do otorrino que me salvou a vida retirando minhas amigdalas após muitas crises e uma necrose. Era como se estivesse vendo aquele meu anjo na minha frente me dizendo:
- Menina, vá fazer a cirurgia desse desvio facial! Vai chegar um tempo em que você vai me procurar com fortes dores de ouvido e eu não vou poder fazer nada pra alivar!

Nossa. Isso tinha sido há tantos anos. E parecia que o ouvia ali, naquele momento. A médica de urgência então receitou um anti inflamatório mais forte para que eu aguentasse a dor enquanto não encontrasse um buco maxilo para me avaliar.
Na semana seguinte, lá estava eu diante daquele que vai ser meu novo anjo. Dr. Dirceu. Após um breve exame físico, pimba! DTM. Uma crise aguda. E não tinha como fugir. A cirurgia ortognática seria a única solução pro problema. De imediato, analgésico regular, continuação do anti inflamatório, dieta rígida: nada de mastigar! Líquidos, papinhas, sopas... e 2x por semana ir ao consultório para um tratamento a laser que seria mais eficiente para sair da crise. Tudo apenas paliativo para que eu saísse da crise e encaminhasse tudo pra cirurgia.
E como ia fazer? Sem plano de saúde, desempregada, sem dindim.. particular, nem pensar! Caríssima ainda! Pelo SUS até se consegue e temos um centro de referência no Recife, pela UPE. Mas aí levaria tempo demais na fila de espera e ele recomendou certa urgência. Mas, Deus não desampara seus filhos. No mês seguinte consegui um emprego com um bom plano de saúde que meu médico aceita e aí era só esperar um ano para ter direito a férias e fazer a bendita.
Bom, um ano estou fazendo essa semana. Já ajustei com o RH as minhas férias e deixei o chefe ciente de tudo, afinal será preciso mais que os 30 dias de afastamento. Esse mês estou voltando ao cirurgião para dar inicio a jornada pré-operatória que passa aí por tratamentos ortodônticos e tudo mais. Ainda é um mundo desconhecido pra mim. Mas quero compartilhar desde já para que outras pessoas que sofrem com o mesmo mal possam compartilhar das informações médicas, da minha ansiedade e da minha alegria. Sim! Quero daqui pro final deste ano postar a minha satisfação em morder uma deliciosa goiaba! Quer mascar chiclete sem dor! Quero sorrir sem vergonha do excesso de gengiva! Quero gargalhar sem medo de um deslocamento mandibular e sem segurar o queixo por medo disso! Quero tirar foto sem escolher o melhor lado porque serão iguais!
É. Um rostinho simétrico era só um sonho de adolescente que virou um pesadelo de dor na minha vida adulta. Mas logo estarei livre para sorrir! E se já gosto disso, preparem-se! Rsss

Este é apenas o primeiro de muitos compartilhamentos. Leiam, tirem dúvidas, pesquisem. Utilizem esse blog da melhor forma que lhes convir. E que Deus abençoe essa jornada que se inicia. Amém!

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