JANEIRO/2014
Uma bela tarde de domingo com a família
no passeio que terminaria comigo prostrada na cama com uma forte dor de cabeça.
Sim, eu estava acostumada a ter, mas nunca como aquela. Nem saberia descrevê-la
naquele dia. Era uma dor forte na nuca que se estendia para o pescoço e ombros
que logo ficaram enrijecidos. Era só o começo de tudo. Analgésicos comuns não
surtiam nenhum efeito. A dor só piorava. Na terça-feira atacou os ouvidos e
tudo foi desesperador. Seguiu-se com náuseas e fortes tonturas e só então fui
socorrida à UPA daqui com suspeita da minha mãe de meningite. Lá no atendimento
isso foi descartado. Tomei um coquetel de 4 injeções entre analgésicos e anti
inflamatórios e fui liberada pra casa. O efeito desse sossega leão não durou
mais que duas horas e as dores voltaram com tudo durante a madrugada.
Manhã de quarta-feira. Se
iniciava o quarto dia de dor sem pausa. Procuramos então um otorrinolaringologista
de urgência e após um breve exame físico o diagnóstico: DTM. Uma crise aguda. Disfunção
temporomandibular. Nem acreditava que uma articulação pudesse me fazer sentir a
caminho da morte, sério! A dor era de dar vontade de morrer! Aí me lembrei das
palavras do otorrino que me salvou a vida retirando minhas amigdalas após
muitas crises e uma necrose. Era como se estivesse vendo aquele meu anjo na
minha frente me dizendo:
- Menina, vá fazer a cirurgia
desse desvio facial! Vai chegar um tempo em que você vai me procurar com fortes
dores de ouvido e eu não vou poder fazer nada pra alivar!
Nossa. Isso tinha sido há tantos
anos. E parecia que o ouvia ali, naquele momento. A médica de urgência então
receitou um anti inflamatório mais forte para que eu aguentasse a dor enquanto
não encontrasse um buco maxilo para me avaliar.
Na semana seguinte, lá estava eu
diante daquele que vai ser meu novo anjo. Dr. Dirceu. Após um breve exame
físico, pimba! DTM. Uma crise aguda. E não tinha como fugir. A cirurgia ortognática
seria a única solução pro problema. De imediato, analgésico regular,
continuação do anti inflamatório, dieta rígida: nada de mastigar! Líquidos,
papinhas, sopas... e 2x por semana ir ao consultório para um tratamento a laser
que seria mais eficiente para sair da crise. Tudo apenas paliativo para que eu saísse
da crise e encaminhasse tudo pra cirurgia.
E como ia fazer? Sem plano de
saúde, desempregada, sem dindim.. particular, nem pensar! Caríssima ainda! Pelo
SUS até se consegue e temos um centro de referência no Recife, pela UPE. Mas aí
levaria tempo demais na fila de espera e ele recomendou certa urgência. Mas,
Deus não desampara seus filhos. No mês seguinte consegui um emprego com um bom
plano de saúde que meu médico aceita e aí era só esperar um ano para ter
direito a férias e fazer a bendita.
Bom, um ano estou fazendo essa
semana. Já ajustei com o RH as minhas férias e deixei o chefe ciente de tudo,
afinal será preciso mais que os 30 dias de afastamento. Esse mês estou voltando
ao cirurgião para dar inicio a jornada pré-operatória que passa aí por
tratamentos ortodônticos e tudo mais. Ainda é um mundo desconhecido pra mim.
Mas quero compartilhar desde já para que outras pessoas que sofrem com o mesmo
mal possam compartilhar das informações médicas, da minha ansiedade e da minha
alegria. Sim! Quero daqui pro final deste ano postar a minha satisfação em
morder uma deliciosa goiaba! Quer mascar chiclete sem dor! Quero sorrir sem
vergonha do excesso de gengiva! Quero gargalhar sem medo de um deslocamento
mandibular e sem segurar o queixo por medo disso! Quero tirar foto sem escolher
o melhor lado porque serão iguais!
É. Um rostinho simétrico era só
um sonho de adolescente que virou um pesadelo de dor na minha vida adulta. Mas
logo estarei livre para sorrir! E se já gosto disso, preparem-se! Rsss
Este é apenas o primeiro de
muitos compartilhamentos. Leiam, tirem dúvidas, pesquisem. Utilizem esse blog
da melhor forma que lhes convir. E que Deus abençoe essa jornada que se inicia.
Amém!

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